Nosso Samba – Volume 3 – Primeira Parte
Homenagem ao Maneca!
TEXTO DE JOAQUIM CORRÊA:

Foto: Joaquim Corrêa
Nascia o meu pai, Manoel Corrêa, em Itajaí – SC, filho de um estivador e uma dona de casa.
Teve uma infância humilde.
Numa das muitas histórias, com característica riqueza de detalhes, disse ele que meu avô o levou junto com meu Tio Eugênio para visitarem os presos e levar alimentos, jornais, etc… como uma espécie de compensação pela dura vida que os presos levavam. Meu avô, de quem herdei o nome completo, tinha a veia espírita muito latente e insistiu em passar para os filhos a importância de ajudar as pessoas com necessidades.
Num dessas visitas, de carroça, que meu pai classificou como tediosas, porém obrigatórias, no retorno ele e meu tio perceberam que havia uma trilha com balas no trajeto (provavelmente de alguma outra carroça que teve a embalagem rasgada por acidente). Meu pai corria eufórico para disputar cada bala com o irmão. Então meu avô, utilizando toda a sabedoria que a vida de estivador lhe dera, disse: viram ? quando a gente ajuda os outros, sempre vem uma recompensa…
Meu pai fez carreira no banco, começando como contínuo, varrendo a agência e se aposentou como gerente.
Por conta da profissão, acabou morando em diversas cidades do interior catarinense, onde utilizou seus conhecimentos nas rádios, fazendo participações eventuais em programas, bem como em Itajaí fez parceria com nosso querido professor Eurides Antunes Severo.
Fundador do Lions Clube em Florianópolis na década de sessenta, foi um lutador pelas campanhas que esta valorosa instituição empreendeu, seja como sócio, mas também como presidente por algumas gestões.
Me acostumei a andar por nossa cidade e encontrar pessoas que o conheciam e sempre tinham uma palavra de carinho para descrevê-l0.
Apostou na amizade como seu maior valor, afirmando com convicção que “estamos nessa vida para fazer amigos”.
Dono de uma simpatia contagiante, insistia que não importava qual fosse a situação, emocional ou financeira, jamais deveríamos perder a classe.
Foi um mestre do xadrez, disputando partidas nos jogos citadinos. Jogou futebol com os colegas do banco até que teve um fratura na tíbia provocada por um lance bobo.
Nos últimos anos de vida, já com a saúde debilitada, mas com uma lucidez que o fazia lembrar de datas e fatos de forma invejável, contentava-se em curtir a vista do mar que Florianópolis oferecia para renovar as energias.
Seus olhos sempre almejavam algo maior. O espaço. Como brilhavam quando podia ir para frente da casa e vislumbrava as constelações que conhecia como ninguém.
Sonhava que logo teríamos capacidade de viajar pelo espaço como o fazemos com os atuais voos comerciais.
De olho no desenvolvimento tecnológico, me chamava para conversarmos sobre “o que há de novo”?, pergunta constante de alguém que ainda não se contentava com tudo que havia aprendido, tinha sede de conhecimento.
Ao contrário das pessoas com mais de oitenta anos, ele tinha cadastro no orkut, no msn, tinha email do yahoo e habituou-se a conversar com familiares distantes com webcam e microfone.
Quis a vida que nos tornássemos mais próximos e amigos, no final da dele.
Trocávamos idéias e discutíamos posturas como dois velhos conhecidos, nossa diferença de idade sumira.
Mas o respeito mútuo só fez aumentar.
Dono de um discurso correto e inteligente, homenageou muitos amigos e parentes no momento dos seus sepultamentos. Algumas vezes ele me dizia: alguém tem de fazer isso, não podemos apenas silenciar.
No de meu pai não ousei me pronunciar, pois o silêncio respeitoso foi mais eloquente, já que o grande orador estava calado.
Publicado no Blog do Joaquim http://joaquimsc.wordpress.com/
Que venha 2011!
Quando o ano se inicia a esperança e a vontade de realizar o novo nos fortalece.
É com essa energia que desejo um 2011 de grandes realizações para a nossa Capoeira!
Aqui uma mensagem enviada pela minha mana Danuza de Pablo Neruda:
É Proibido
É proibido chorar sem aprender,
Levantar-se um dia sem saber o que fazer
Ter medo de suas lembranças.
É proibido não rir dos problemas
Não lutar pelo que se quer,
Abandonar tudo por medo,
Não transformar sonhos em realidade.
É proibido não demonstrar amor
Fazer com que alguém pague por tuas dúvidas e mau-humor.
É proibido deixar os amigos
Não tentar compreender o que viveram juntos
Chamá-los somente quando necessita deles.
É proibido não ser você mesmo diante das pessoas,
Fingir que elas não te importam,
Ser gentil só para que se lembrem de você,
Esquecer aqueles que gostam de você.
É proibido não fazer as coisas por si mesmo,
Não crer em Deus e fazer seu destino,
Ter medo da vida e de seus compromissos,
Não viver cada dia como se fosse um último suspiro.
É proibido sentir saudades de alguém sem se alegrar,
Esquecer seus olhos, seu sorriso, só porque seus caminhos se
desencontraram,
Esquecer seu passado e pagá-lo com seu presente.
É proibido não tentar compreender as pessoas,
Pensar que as vidas deles valem mais que a sua,
Não saber que cada um tem seu caminho e sua sorte.
É proibido não criar sua história,
Deixar de dar graças a Deus por sua vida,
Não ter um momento para quem necessita de você,
Não compreender que o que a vida te dá, também te tira.
É proibido não buscar a felicidade,
Não viver sua vida com uma atitude positiva,
Não pensar que podemos ser melhores,
Não sentir que sem você este mundo não seria igual.
Não ao Conformismo!
Alguns amigos acham que ando um pouco revoltada! Mas não posso ficar indiferente a realidade de nossa sociedade!
O tempo vai passando, vamos ficando mais velhos, deveríamos ficar mais sábios, mais sensíveis à vida!
Levamos a vida numa velocidade desenfreada, que está nos deixando indiferentes. A gentileza nas pessoas é algo raro…
Deixamos de cultivar nossas amizades, como quem cuida de rosas de um jardim…
Estava cansada com vontade de desistir… Não querendo mais acreditar na humanidade!
Mas não vou me conformar, vou continuar na luta, por um mundo melhor, mais justo e solidário!
Enterrar minhas decepções e mágoas com o ano que está findando…
Deixar que a esperança renasça no meu coração…
Abraço caloroso à todos meus camaradas!
Batismo…
“Ô moça que vende aí, ô moça que vende aí
É arroz do Maranhão
Sô discípulo que aprendo
Sô Mestre que dou lição
Em roda de Capoeira
Dai-me um aperto de mão”…
Foi assim, agachados para a saída do jogo que Mestre João Pequeno começou o meu Batismo…
Ainda hoje sinto a energia daquele momento mágico, de forte emoção.
O dia também era especial: 20 de novembro de 1988, dia da Consciência Negra, de Zumbi e aniversário do Grupo Capoeira Angola Palmares.
Mestre Nô no comando da roda!
Presença de outros grandes Ferrerinha, Bobó, Curió, Boa Gente, Braulino…
Acaba o jogo, ganho um carinhoso abraço do Mestre João Pequeno e uma flor de meu padrinho Bolita!
O dia do Batismo é especial para os capoeiristas.
O meu foi demais!
Agradeço ao Alemão por este presente!
MESTRES NA ILHA: JOÃO PEQUENO
Festa para Mestre João Pequeno!
Parabéns Mestre João Pequeno
Hoje Mestre João Pequeno de Pastinha completa 93 anos!
Tive a honra de ser batizada por este grande Mestre da Capoeira em 20 de novembro de 1988!
No ano de 2001, estive em sua academia ainda no antigo Forte de Santo Antônio (escuro e abandonado). Haviam me dito que o Mestre João Pequeno estava viajando… Fui mesmo assim, com uma relativa tristeza de não poder encontrá-lo. Chegando lá tive a grata surpresa dele estar presente! As lágrimas verteram, tamanha a emoção de estar diante dele.
Foi bom demais ir à Academia de Mestre João Pequeno, que nos recebe muito bem, convidando todos os capoeiras a tomarem parte da Roda. Na época estava grávida e fiquei um pouco receosa de entrar na roda, mas Ritinha muito gentil, disse para jogar com uma aluna dela que não teria problema. Toquei na bateria (não lembro se agogô ou ganzuá).
Ao final da roda chorei novamente…
Parabéns Mestre João Pequeno! Qua sua vida seja repleta de saúde, paz, harmonia e Axé!
Amigo…
In.: Grande Sertão Veredas
GUIMARÃES ROSA




