Aposentadoria na Pandemia

Foi na tarde ensolarada de oito de julho, Ilha de Santa Catarina.

No oitavo andar da prefeitura.

Recebi os papéis e assinei. E foi assim…

Confesso que saí de lá com lágrimas nos olhos…

Sem despedida, sem abraços, sem ao menos um muito obrigado!

Trinta anos dedicados ao magistério. Vinte e nove como professora da educação pública!

Passei por várias unidades educativas. Grandes companheiros de trabalho. Inúmeros educandos. Tantas Lutas!

Mesmo assim, não posso me queixar!

Eu tive meu direito à aposentadoria!

E daqui pra frente?

Com a retirada dos direitos dos trabalhadores, com um desgoverno voltado para a elite e não para o povo, necrófilo, de homens brancos e cruéis. “E agora José”?

Da vida de servidora pública ao povo de Desterro, o sentimento é de profunda GRATIDÃO!

Gratidão aos companheiros de trabalho das Unidades Educativas e Projetos da Prefeitura Municipal de Florianópolis por onde passei: Escola Básica Municipal Almirante Carvalhal – Coqueiros (1991); Programa de Atendimento e Integração de Crianças e Adolescentes de Rua da Secretaria Municipal da Saúde e Desenvolvimento Social (1992); Programas da Secretaria Municipal da Saúde e Desenvolvimento Social: Casarão, Casa da Liberdade, CEC´s Itacorubi e Parque da Figueira (1993); Projeto Ginga Desterro pela Fundação Municipal de Esportes (1993 à 1996); Escola Básica Municipal Mâncio Costa – Ratones (1994 à 1999); Projeto “Alevanta Boi Brincá” – Ratones, Barra da Lagoa e Costa da Lagoa; (1995 e 1996); Escola Básica Municipal Acácio Garibaldi – Barra da Lagoa (1999); Escola Básica Municipal Donícia Maria da Costa – Saco Grande (2000 e 2001); Creche Ana Spyros de Matos e NEI Tapera (2002); NEI Campeche (2003 e 2004); Creche Almirante Lucas e NEI Coqueiros (2005); Creche Dona Cota (2006 e 2010); NEI Coqueiros (2005 à 2010); Creche Júlia Maria Rodrigues (2011); NEI Coqueiros (2012 à 2014); Creche Júlia Maria Rodrigues (2015); NEI Coqueiros (2016 e 2018); Núcleo de Formação, Pesquisa e Assessoramento da Educação Infantil – NUFPAEI (2018); NEIM Coqueiros (2019); NEIM Coqueiros e NEIM Júlia Maria Rodrigues (2020); Projeto Capoeira na Rede (Escola Básica Municipal Almirante Carvalhal (2006 à 2020).

Aos educandos e suas famílias, pelas relações pedagógicas e de afetos, gratidão pelo aprendizado constante!

À minha família que me acompanhou e me apoiou no meu trabalho como professora!

Agora dedicação exclusiva ao trabalho com a CAPOEIRA!

Vamos seguindo na Luta… Sempre em Frente!

Jô Capoeira

Julho de 2020

Alguns momentos…

Trinta e Dois

Foto: Arthur Gonçalves. Ano: 1988.

Dia 20 de novembro de 1988. Lembro-me até hoje. Ainda sinto a energia deste grande momento: meu batismo.
Hoje estou de aniversário de Capoeira. Iniciei no dia 05 de abril de 1988 com o Contramestre Alemão.
Não foi fácil a caminhada até aqui, principalmente por ser mulher, mãe, professora, dona de casa, cuiqueira e ainda ter a pretensão de ser uma Capoeira.
Mas a vida da capoeiragem, apesar de tantas rasteiras que levamos, nos traz muita felicidade, pois traz para a nossa vida muitos camaradas.
Não tenho como citar aqui os camaradas que são importantes na minha vida. São muitos! E sou feliz por isso!
O apoio de minha família também foi e é fundamental para a minha caminhada.
São 32 anos de vivência nesta arte, mas sinto-me ainda uma iniciante, pois tenho muito ainda para aprender.
A capoeira pra mim é mais do que uma arte, jogo e manifestação cultural afro-brasileira. É uma luta política para a construção de uma sociedade mais justa. Uma luta contra a opressão que vivemos neste mundo que dá mais valor ao dinheiro do que às pessoas.
Essa luta não se faz sozinho. Na roda somos muitos e eu sou só mais uma, como diz a cantiga.
O sentimento é de gratidão!
Valeu Camaradas!
Força na Luta!
Sempre em Frente!

30 Anos de Capoeiragem!

Já se passaram 30 anos, mas parece que foi ontem que cheguei no antigo Ginásio de Alumínio do Centro de Desportos da UFSC, para ter aulas de capoeira com o Contramestre Alemão.

O tempo devora, mas sinto-me uma iniciante, muito para aprender…

A vontade sempre foi de estar presente em todas as rodas, de dar a volta ao mundo capoeirando… Não foi possível. Neste tempo, tive que me levantar de muitas rasteiras nas rodas e na vida. O desafio maior foi e é conciliar o tempo de ser mulher, mãe, professora e ainda ser uma Capoeira.

O que de mais precioso levo da capoeiragem são as amizades que fiz. Já falei disso e reafirmo. São muit@s @s camaradas que deixaram suas marcas em minha vida, uns longe, outr@s presentes no meu cotidiano… não tenho como citar seus nomes.

Alemão por ter me iniciado na arte e me dar o sentido de ser uma Capoeira.

Ao Mestre Nô, pela sua vida dedicada a arte.

Pedro e Helena, filho e filha por compreender minhas ausências.

Minha mãe Maria.

Ao Neto por sempre me apoiar e respeitar minha vida na capoeiragem.

Meu sentimento é de profunda gratidão…

batismo josinha

Meu Batismo. 20 de novembro de 1988. Foto: Arthur Gonçalves

1013306_757114547650592_1081507641_n

Formatura de Contramestra pelo Mestre Nô. Dia 09 de novembro de 2013. Foto: Joaquim Corrêa.

“Eu envergo, mas não quebro”

Outono de 2017… Primeira noite fria do ano.

Camaradas reunidos para mais uma roda de Axé!

Algo abalou a energia.

Dois manos que amo muito jogando, como se fosse uma arena de gladiadores.

O berimbau é o Mestre da Roda, foi falado. Devemos respeito a este fundamento.

Mas, uma mulher Capoeira baixando o berimbau?

A luta não é contra os camaradas e sim com esta nossa sociedade que cultiva os princípios do egoísmo, individualismo e opressão.

Parafraseando Paulo Freire, quando a Capoeira não é libertadora, o sonho do oprimido é ser opressor.

“Eu envergo, mas não quebro”.