Trinta e Dois

Foto: Arthur Gonçalves. Ano: 1988.

Dia 20 de novembro de 1988. Lembro-me até hoje. Ainda sinto a energia deste grande momento: meu batismo.
Hoje estou de aniversário de Capoeira. Iniciei no dia 05 de abril de 1988 com o Contramestre Alemão.
Não foi fácil a caminhada até aqui, principalmente por ser mulher, mãe, professora, dona de casa, cuiqueira e ainda ter a pretensão de ser uma Capoeira.
Mas a vida da capoeiragem, apesar de tantas rasteiras que levamos, nos traz muita felicidade, pois traz para a nossa vida muitos camaradas.
Não tenho como citar aqui os camaradas que são importantes na minha vida. São muitos! E sou feliz por isso!
O apoio de minha família também foi e é fundamental para a minha caminhada.
São 32 anos de vivência nesta arte, mas sinto-me ainda uma iniciante, pois tenho muito ainda para aprender.
A capoeira pra mim é mais do que uma arte, jogo e manifestação cultural afro-brasileira. É uma luta política para a construção de uma sociedade mais justa. Uma luta contra a opressão que vivemos neste mundo que dá mais valor ao dinheiro do que às pessoas.
Essa luta não se faz sozinho. Na roda somos muitos e eu sou só mais uma, como diz a cantiga.
O sentimento é de gratidão!
Valeu Camaradas!
Força na Luta!
Sempre em Frente!

Toque de Iúna para Mestre Moa

E o ato aconteceu.

Momento lindo vivido na Praça da Lagoa.

Muita emoção dos camaradas presentes.

Conduzido pelo toque do Afoxé, o cortejo foi formado.

Atabaques, xequerês e agogôs, seguidos dos berimbaus.

E o povo acompanhou com respeito, a dor da perda do Mestre.

No momento final, depois da dança de resistência, um toque de Iúna tocado.

Corpo arrepiado. O grito do Axé ecoado.

Força Camaradas!

Iê Viva Mestre Moa!