
Mestre Nô e Mestre Bobó. Roda da Lagoa. Novembro de 1988. Foto: Júlio Cavalheiro.

Mestre Nô e Mestre Bobó. Roda da Lagoa. Novembro de 1988. Foto: Júlio Cavalheiro.
“Ô moça que vende aí, ô moça que vende aí
É arroz do Maranhão
Sô discípulo que aprendo
Sô Mestre que dou lição
Em roda de Capoeira
Dai-me um aperto de mão”…
Foi assim, agachados para a saída do jogo que Mestre João Pequeno começou o meu Batismo…
Ainda hoje sinto a energia daquele momento mágico, de forte emoção.
O dia também era especial: 20 de novembro de 1988, dia da Consciência Negra, de Zumbi e aniversário do Grupo Capoeira Angola Palmares.
Mestre Nô no comando da roda!
Presença de outros grandes Ferrerinha, Bobó, Curió, Boa Gente, Braulino…
Acaba o jogo, ganho um carinhoso abraço do Mestre João Pequeno e uma flor de meu padrinho Bolita!
O dia do Batismo é especial para os capoeiristas.
O meu foi demais!
Agradeço ao Alemão por este presente!
Reportagem da RBS TV sobre o I Festival de Capoeira Angola em 1998. Mestres Nô e Bigodinho na Roda do Mercado.
Sábado de sol bonito. Roda da Figueira. Rever camaradas que não via a um tempo foi bom demais! Roda de Axé! Presença de grandes mestres. Jogos bonitos… Batismo de crianças: Areias, Pedregal. Pai de Santo dando lição de organização solidária, mostrando que é possível a realização de grandes feitos, desde que se envolva a comunidade, com a união e garra de um grupo! A semente plantada por Pinóquio agora gerando grandes frutos… Como ele sempre nos diz: A Capoeira mora na Periferia! Senti a energia da Capoeira no jogo das crianças… O choro da menina que recebeu sua graduação… Malícia, malandragem, ludicidade no jogo dos mestres…
Parabéns ao Grupo Capoeira Angola Quilombola! Agradeço por ter proporcionado mais um grande momento para a nossa capoeiragem!
O ano: 1987. Acadêmica do curso de Educação Física da Universidade Federal de Santa Catarina. Conheci um também acadêmico do curso: Carlos Alberto Dal Molin Silva, o Alemão da Capoeira. Até então o contato que eu tivera com a capoeira eram algumas lembranças de um capoeira do Morro da Covanca, hoje Vila Aparecida: o João Nilson. Eu era criança e ele já trabalhava com Capoeira e Boi-de-mamão no bairro onde morava.
No dia 06 de dezembro de 1987, no Restaurante Universitário, assisti ao I Batismo de Capoeira Ajagunã de Palmares, um grande momento da Capoeira da Ilha. Conheci o Alemão na correria da organização deste evento e como bolsista da Associação Atlética Acadêmica da UFSC, acompanhei a organização do mesmo vendendo adesivos e camisetas.
Este foi o primeiro evento do Grupo Palmares na Ilha e a primeira vez que Mestre Nô esteve por aqui. Presentes grandes Mestres da Capoeira: Mestre Nô e João Pequeno de Salvador; Mestre Ferreirinha de Santo Amaro da Purificação; muitos capoeiristas da Bahia, Rio Grande do Sul e da Ilha. Outra presença marcante foi a do Macaô, a única vez que vi esse grande capoeira jogar. Lembro-me bem da emoção que senti em assistir este batismo. Os mestres jogando, toda aquela energia emanando da roda, das crianças sendo batizadas… Naquele dia recebi um presente da Associação Atlética onde trabalhava: um berimbau das mãos de Mestre Nô, um berimbau confeccionado por ele que guardo até hoje! Não sabia que meu destino estava traçado para ser uma capoeira! Acredito que a força da capoeira vem da energia de seus berimbaus e recebendo um presente como este de um grande mestre foi um grande começo na minha jornada!