O Início de minha jornada…

I Batismo Palmares 1987 – Acervo Alemão

O ano: 1987. Acadêmica do curso de Educação Física da Universidade Federal de Santa Catarina. Conheci um também acadêmico do curso: Carlos Alberto Dal Molin Silva, o Alemão da Capoeira. Até então o contato que eu tivera com a capoeira eram algumas lembranças de um capoeira do Morro da Covanca, hoje Vila Aparecida: o João Nilson. Eu era criança e ele já trabalhava com Capoeira e Boi-de-mamão no bairro onde morava.

No dia 06 de dezembro de 1987, no Restaurante Universitário, assisti ao I Batismo de Capoeira Ajagunã de Palmares, um grande momento da Capoeira da Ilha. Conheci o Alemão na correria da organização deste evento e como bolsista da Associação Atlética Acadêmica da UFSC, acompanhei a organização do mesmo vendendo adesivos e camisetas.

Este foi o primeiro evento do Grupo Palmares na Ilha e a primeira vez que Mestre Nô esteve por aqui. Ele foi de grande importância para a nossa capoeiragem, pois trazia a Capoeira da Bahia para a nossa cidade. Este fato foi determinante na formação da nossa “Capoeira da Ilha”. Presentes grandes Mestres da Capoeira: Mestre Nô e João Pequeno de Salvador; Mestre Ferreirinha de Santo Amaro da Purificação; muitos capoeiristas da Bahia, Rio Grande do Sul e da Ilha. Outra presença marcante foi a do Macaô, a única vez que vi esse grande capoeira jogar. Lembro-me bem da emoção que senti em assistir este batismo. Os mestres jogando, toda aquela energia emanando da roda, das crianças sendo batizadas… Naquele dia recebi um presente da Associação Atlética onde trabalhava: um berimbau das mãos de Mestre Nô, um berimbau confeccionado por ele que guardo até hoje! Não sabia que meu destino estava traçado para ser uma capoeira! Acredito que a força da capoeira vem da energia de seus berimbaus e recebendo um presente como este de um grande mestre foi um grande começo na minha jornada!

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3 pensamentos sobre “O Início de minha jornada…

  1. Oi Jô,

    Ta bonita na foto, como sempre! Guria, pelo eu relato lembrei que algumas semanas atras estive numa atividade do MST que veio a Floripa à pé, andou mais de 60 Km para trazer toneladas de alimentos para as familias das comunidades do continente, Monte Cristo, etc… na oportunidade uma roda de capoeira foi apresentada e para minha surpresa o responsavel era João Nilson. O mesmo que você relata em seu texto. Ele é responsavel por um projeto social muito bacana, no CEDEP, centro de educaçao popular… Ele aprendeu capoeira com seu avô e se diz um capoeirista regional. Faz excelente trabalho com as crianças, como sempre, sem grandes alardes, na simplicidade, com dedicaçao… Ta ai uma pessoa a ser valorizada na historia da capoeira da ilha… abç, bagé.

  2. deu p arripiar… a capoeira é fascinante, muito fascinante a cultura afro e indígena tb.
    suas palavras estavam vivas acho que estive lá em espírito…
    Jô suas palavras me levaram a reflexões e lembrei de meu passado.. vou compartilhar c vc, em 83 ou 84, não tenho muita certeza, alguns colegas do 7º ano (6ª série) reuniram-se e nós decidimos que iríamos entrar em alguma luta… e meu voto foi vencido – indiquei a capoeira, outro indicou o hap kido, tb voto vencido e quem venceu foi o karatê, então não gostei da decisão e não fui c a galera! que comédia lembrar disso rs. Só + uma curiosidade – neste período (87/88) estava louco pela capoeira mas não tinha R$ 0,01 e p piorar morava no centro da cidade (Barris – próximo de onde M .Bimba fazia os treinamentos que chamava de emboscadas) e a capoeira pulsava… mas pulsava mesmo, sempre via rodas, apresentações era terror e pânico. Agora entendo precisava fazer parte dessa família palmares. um abç e muito axé da Bahia

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