FESTA DO AFOXÉ 2011

 

Em 2011 o Afoxé Omo Olorun homenageia Oxóssi/Odé o Deus da caça, da alimentação e da fartura. Por este motivo, convidamos você e sua família para participar da Alvorada (mesa de frutas) e do Ensaio Geral do Afoxé Omo Olorun 2011, que acontecerá no dia 26 de fevereiro (sábado) às 10h30, no vão do mercado público, com a presença do Mestre Cotoquinho puxador do Afoxé Filhos de Gandhy do Rio de Janeiro e Salvador.
 
Lembramos que para adquirir seu abadá para o desfile, é necessário o cadastramento gratuito, que pode ser feito através da ficha de cadastro no link abaixo, ou no momento da entrega do abadá, que ocorrerá na Praça Fernando Machado, dia 04 de Março de 2011, às 17h00.
 
 
PROGRAMAÇÃO:
 
Dia 26/02
 
09h30 – Alvorada pra Oxóssi
10h30 – Ensaio Geral no Mercado Público
 
 
Dia 04/03
 
17h00 – Entrega dos Abadás
18h30 – Desfile

Preencha sua ficha de inscrição no link abaixo:
https://spreadsheets.google.com/viewform?formkey=dHhTQ2x1R3dLYzhYWmNHTVVDbFpZN2c6MQ
 
Atenciosamente,
 
Claudio Mizraji
Presidente Afoxé Omo Olorun
(48) 8451 1718

Volta à Ilha

A “Volta à Ilha” é um projeto antigo meu, mas que até hoje não consegui concretizar. Minha meta para 2011 é visitar todas as rodas de capoeira da Ilha de Santa Catarina. Iniciei na Roda da Figueira, considerada a mais antiga, realizada na Praça XV, Centro de nossa cidade.

Toquei pandeiro e berimbau. Joguei com os Camaradas Boca e Sid.

Roda da Figueira, Roda de Axé!

Dia quente de verão.

O povo assiste atento, as peripécias dos capoeiristas.

Corpos suados e treinados.

Olhares e sorrisos.

Palmas para o jogo bonito.

A capoeira na rua e tudo pode acontecer.

O menino entra. Inocente e atrevido.

A cantiga nos diz:

“Quem não pode não intima”…

Grande ensinamento da Capoeira!

“Cada dia aprendo mais”…

Ritmo. Roda da Figueira. Dia 19 de fevereiro de 2011.

Sou Coloninha eu sou…

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Ensaio na Praça XV. Dia 27 de janeiro.

“Sou Coloninha eu sou , uma explosão de amor, canta comunidade guerreira, que a voz do povo não é brincadeira”…

A voz do intérprete a vibrar minha cuíca.

É somente ensaio, mas  a pele arrepia…

Ensaio na Praça XV. Saudade de um carnaval que não volta… De quando era criança e ia com minha mãe para a Praça ver os blocos de sujo. De sentar no meio fio da Francisco Tolentino ver as escolas de samba e os carros das Grandes Sociedades. Não havia violência. Só alegria!

Ensaio na passarela. Oxum nos presenteia com uma chuva suave…

Quanta magia tem o carnaval.

Atraentes as passistas.

Gracioso o bailar da Porta-bandeira e Mestre-sala.

A resistência das baianas.

A pureza das crianças.

Contagiante o pulsar da bateria.

É lindo ver toda uma comunidade amando e doando-se para sua escola…

Sobre Importâncias – Manoel de Barros

“Um fotógrafo-artista me disse uma vez: veja que o pingo de sol no couro de um lagarto é para nós mais importante do que o sol inteiro no corpo do mar.

Falou mais: que a importância de uma coisa não se mede com fita métrica nem com balança nem com barômetro etc. Que a importância de uma coisa há que ser medida pelo encantamento que a coisa produza em nós.

Assim um passarinho nas mãos de uma criança é mais importante para ela do que a Cordilheira dos Andes. Que um osso é mais importante para o cachorro do que uma pedra de diamante. E um dente de macaco da era terciária é mais importante para os arqueólogos do que a Torre Eifel. (veja que só um dente de macaco!) Que uma boneca de trapos que abre e fecha os olhinhos azuis nas mãos de uma criança é mais importante para ela do que o Empire State Building. Que o cu de uma formiga é mais importante para o poeta do que uma Usina Nuclear. Sem precisar medir o ânus da formiga. Que o canto das águas e das rãs nas pedras é mais importante para os músicos do que os ruídos dos motores da Formula 1.

Há um desagero em mim de aceitar essas medidas. Porém não sei se isso é um defeito do olho ou da razão. Se é defeito da alma ou do corpo. Se fizerem algum exame mental em mim por tais julgamentos, vão encontrar que eu gosto mais de conversar sobre restos de comida com as moscas do que com homens doutos”.

(Manoel de Barros)

Os Diferentes

Um dia uma grande amiga me dizia que admirava as pessoas que viviam de pernas para o ar… Lendo o livro de Carlos Drummond de Andrade A Cor de Cada Um, encontrei uma pequena crônica que parece ter sido escrito aos capoeiristas. Aqui deixo as palavras deste grande poeta:

“OS DIFERENTES

Descobriu-se na Oceania, mais precisamente na ilha de Ossevaolep, um povo primitivo, que anda de cabeça para baixo e tem vida organizada.

É aparentemente um povo feliz, de cabeça muito sólida e mãos reforçadas. Vendo tudo ao contrário, não perde tempo, entretanto, em refutar a visão normal do mundo. E o que eles dizem com os pés dá impressão de serem coisas aladas, cheias de sabedoria.

Uma comissão de cientistas europeus e americanos estuda a linguagem desses homens e mulheres, não tendo chegado ainda a conclusões publicáveis. Alguns professores tentaram imitar esses nativos e foram recolhidos ao hospital da ilha. Os cabecentes-para-baixo, como foram denominados à falta de melhor classificação, têm vida longa e desconhecem a gripe e a depressão”.

Carlos Drummond de Andrade

 

Fico a pensar o que nos faz capoeirista? Até posso ficar gripada, mas nunca tive depressão…