Roda do Mercado

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Roda do Mercado 1991. Foto: Elaine Itália.

Depois de algum tempo, fui à Roda do Mercado da Ilha de Santa Catarina.

Esta roda tem um significado especial para mim, pois ali vivi muito da minha capoeiragem.

A roda estava com uma energia muito boa, com a presença principalmente de alunos novos.

“No ano de 1988 com a iniciativa do Contramestre Alemão do Grupo Ajagunã de Palmares, foi criada a Roda de Capoeira no Mercado Público de Florianópolis sempre realizada aos sábados. Já teve a presença de importantes mestres e professores de Capoeira da Bahia, Sergipe, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul”.

Atualmente, devido a organização do Grupo de Capoeira Angola Palmares, responsável pela roda, é realizada todo o primeiro sábado de cada mês.

A Roda é do Mercado! E o maior feito desta roda é de ser uma das poucas rodas de rua de Florianópolis.

Nela tudo acontece e o povo em volta observa atentamente!

Ali a Capoeira Vive!

Aqui deixo um pouco do sentimento que tenho por esta roda, escrito em 19 de abril de 2009:

Roda do Mercado
Difícil é expressar através de palavras os sentimentos em relação à Roda do Mercado.
Para alguns uma roda que não deve ser prestigiada devido à sua origem, criticada por sua Capoeira “forte” e rústica praticada por alguns camaradas.
Mas o que me contagia é a magia da Capoeira na rua; do “sujar as mãos”; do inesperado; da surpresa; do desconhecido; do povo que prestigia e participa com seus olhares e expressões de espanto ou admiração.
O encontro com os camaradas; a papoeira depois da roda; o samba de outrora…
E os mestres de Capoeira que por ali já passaram… Quanta energia ali deixaram com suas músicas, ritmos e jogos incríveis!
Resistir! Esta palavra resume o espírito desta Roda!

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Roda do Mercado de 04/06/2011. Foto: Andrea

“O que se aprende com amor não se esquece”.

Sábado de sol lindo que Deus mandou!

Roda da Figueira.

A Roda estava como o dia: Irradiante! Energia boa, grandes camaradas presentes!

Descendo o morro com meu berimbau, sensação de liberdade!

Chegando próximo a Praça XV,  coração acelerado.

Depois de quase meio ano distante das rodas e treinos (devido a um problema de saúde), finalmente curei meu banzo!

Toquei berimbau, cantei e joguei… venci o medo e a insegurança…

E tudo graças ao apoio de minha família e camaradas!

Um mano especial disse uma frase esta semana que me deu mais força ainda:

“O que se aprende com amor não se esquece”.

É o amor pela Capoeira que me movimenta!

Valeu meus camaradinhas! Dessa roda não vou me esquecer!

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Feliz da Vida por poder jogar na roda…

 

 

O menino que ganhou um rio

“Minha mãe me deu um rio.

Era dia de meu aniversário e ela não sabia o que me presentear.
Fazia tempo que os mascates não passavam naquele lugar esquecido.
Se o mascate passasse minha mãe compraria rapadura ou bolachinhas para me dar.
Mas como não passara o mascate, minha mãe me deu um rio.
Era o mesmo rio que passava atrás de casa.
Eu estimei o presente mais do que fosse uma rapadura do mascate.
Meu irmão ficou magoado porque ele gostava do rio igual aos outros.
A mãe prometeu que no aniversário de meu irmão ela iria dar uma árvore para ele. Uma que fosse coberta de pássaros.
Eu bem ouvi a promessa que a mãe fizera ao meu irmão e achei legal.
Os pássaros ficavam durante o dia nas margens do meu rio e de noite eles iriam dormir na árvore do meu irmão.
Meu irmão me provocava assim:
a minha árvore deu lindas flores em Setembro.
E o seu rio não dá flores!
Eu respondia que a árvore dele não dava piraputanga.
Era verdade, mas o que nos unia demais eram os banhos nus no rio entre os pássaros.
Nesse ponto nossa vida era um afago”!
Texto extraido do livro Memórias inventadas de Manoel de Barros.

Manoel de Barros

Acabei de ler recentemente o livro: Memórias inventadas de Manoel de Barros. Para quem é amante da poesia este livro é genial!

Com uma grande sensibilidade o autor fala do ser criança, brincadeiras, natureza, garças, rios, memórias de quando era menino.

Indico a leitura para as pessoas que ainda não deixaram de ser a criança que foram.

“As crianças e os passarinhos têm o dom de ser poesia”.

Manoel de Barros

RUPTURA!

A decisão foi difícil e dolorosa. Por anos a Central foi um sonho, de ver a capoeiragem unida e politizada, mesmo sentindo muitas vezes que era um sonho só meu.

A falta de participação dos capoeiristas fez com que a Central perdesse o seu sentido!

Romper!

Ter que abrir mão de um projeto coletivo para não perder os amigos…

Não desisti da luta, apenas preciso mudar as minhas estratégias.

A luta só é válida quando temos prazer. Com sofrimento não vale a pena!

“Iê eu vou embora… Iê pela estrada a fora…”

Josinha

Declaração

Camaradas:

Declaro que a partir de hoje, não faço mais parte da Central Catarinense de Capoeira Angola.

Será convocada em breve uma Assembleia Geral para a eleição de uma nova diretoria.

Não sou mais responsável pelas atividades e eventos realizados pela referida entidade.

 Ilha de Santa Catarina, 28 de abril de 2011

 Jô Capoeira