Casa Arrumada

“Casa arrumada  é assim:
Um lugar organizado, limpo, com espaço livre pra circulação e uma boa entrada de luz.
Mas casa, pra mim, tem que ser casa e não um centro cirúrgico, um cenário de novela.
Tem gente que gasta muito tempo limpando, esterilizando, ajeitando os móveis, afofando as almofadas…
Não, eu prefiro viver numa casa onde eu bato o olho e percebo logo: Aqui tem vida…
Casa com vida, pra mim, é aquela em que os livros saem das prateleiras e os enfeites brincam de trocar de lugar.
Casa com vida tem fogão gasto pelo uso, pelo abuso das refeições fartas, que chamam todo mundo pra mesa da cozinha.
Sofá sem mancha?
Tapete sem fio puxado?
Mesa sem marca de copo?
Tá na cara que é casa sem festa.
E se o piso não tem arranhão, é porque ali ninguém dança.
Casa com vida, pra mim, tem banheiro com vapor perfumado no meio da tarde.
Tem gaveta de entulho, daquelas que a gente guarda barbante,
passaporte e vela de aniversário, tudo junto…
Casa com vida é aquela em que a gente entra e se sente bem-vinda.
A que está sempre pronta pros amigos, filhos…
Netos, pros vizinhos…
E nos quartos, se possível, tem lençóis revirados por gente que brinca ou namora a qualquer hora do dia. Casa com vida é aquela que a gente arruma pra ficar com a cara da gente.

Arrume a sua casa todos os dias…
Mas arrume de um jeito que lhe sobre tempo pra viver nela…
E reconhecer nela o seu lugar”.

Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)

Volta à Ilha 2013

Este ano desejo cumprir a meta de visitar todas as rodas da capoeiragem da Ilha, um propósito de muito tempo!
Não poderia deixar de começar minha Volta à Ilha pela Roda do Mercado.
A Roda do Mercado tem um significado muito especial para mim.
Minha história na Capoeira surge com o nascimento desta roda.
No ano de 1988, com a inciativa do contramestre Alemão começamos a realizá-la todos os sábados.
Por ela já passaram muitos Mestres da Capoeira da Bahia, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Rio Grande do Sul e visitantes de vários estados do Brasil e países.
Hoje é uma roda que muitos capoeiristas discriminam, por sua história, pela fama que obteve na década de noventa, considerada uma roda “violenta”.
É uma roda de rua e como tal tudo pode acontecer!
Depois de tantos anos, teimamos em resistir!
Continuamos na luta pelas rodas de rua!
Roda do Mercado: Lugar de Resistência!

Roda do Mercado. Ilha de Santa Catarina. Dia 05 de janeiro de 2013

Roda do Mercado. Ilha de Santa Catarina.
Dia 05 de janeiro de 2013

Feliz 2013!

Foto: Joaquim Corrêa

Foto: Joaquim Corrêa

Tomei emprestado as palavras do grande poeta, para desejar aos meus camaradas tudo o de melhor nessa grande roda chamada Vida!

“Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.
…Industrializou a esperança
fazendo-a funcionar no limite da exaustão.

Doze meses dão para qualquer ser humano
se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez
com outro número e outra vontade de acreditar
que daqui pra adiante vai ser diferente para você,
desejo o sonho realizado.
O amor esperado.
…A esperança renovada.

Para você,
desejo todas as cores desta vida.
Todas as alegrias que puder sorrir.
Todas as músicas que puder emocionar.

Para você neste novo ano,
desejo que os amigos sejam mais cúmplices,
que sua família esteja mais unida,
que sua vida seja mais bem vivida.

Gostaria de lhe desejar tantas coisas
mas nada seria suficiente…
Então, desejo apenas que você tenha muitos desejos.
Desejos grandes e que eles possam te mover a cada
minuto, rumo a sua felicidade!”

Carlos Drummond de Andrade

Dazaranha 20 Anos

“Seja bem vindo”, essa “Tribo da Lua” que com a “Nossa Barulheira”, “Paralisa” os nossos sentidos.

Vinte anos se passaram! Parece que foi ontem que vi o começo de tudo!

Hie Fly Night;   convivência nas rodas da vida com meus manos Moriel e Gerry; salão do Seu Juca; Mãe Neli;  show no Maré Brasil na Lagoa; lançamentos de cada cd e dvd; visitas à Caixa; incontáveis shows assistidos.

O tempo passa, mas meu amor e admiração pelo Daza não!

Banda Original

Genial

Parabéns meus camaradas!

Sucesso sempre é o que desejo!

Encontro Capoeira Angola Palmares

Tarde de quinta-feira. Praia do Riso. Coqueiros.

Alunos reunidos, famílias prestigiando.

Camaradas e Mestres presentes!

Minha família no apoio total!

Uma boa energia  no ar!

Axé da Capoeira!

Gostaria de agradecer à todos que participaram e apoiaram o nosso batismo!

Meus alunos e suas famílias.

Camaradas do Grupo Quilombola Mestre Pinóquio, Pai de Santo e seus alunos, Dudi, meus afilhados Miguel e Caixa.

Camaradas do Grupo Capoeira Angola Palmares Polegar, Danuza, Jimmy Wall, Sid, Kiko, Júlio, Faísca, Beluga,  Desenho e Andrea.

O casal 20  Drycka e Vitinho da Escola Aú Capoeira.

Um agradecimento especial a presença de Mestre Lázaro!

Meu Mestre Nô: exemplo na roda e na vida!

Também a minha família: Neto, Pedro, Helena e minha mãe Maria! Agradeço pela compreensão às minhas ausências pela capoeiragem!

Valeu meus camaradas!

Pitangueira

No quintal da minha casa tem uma pitangueira. Levou anos para crescer!

Nesta primavera ela encheu de frutos: abundantes pitangas bem vermelhas e doces!

E nestes dias fico muito feliz em saboreá-las, minha fruta preferida!

Não é apenas o sabor da fruta, comer pitanga “direto do pé” traz boas lembranças de minha infância.

Na rua onde ainda moro, havia poucas casas,  nenhum prédio e bastante mato.

Atrás da casa, uma grande vegetação. Para podermos pegar ônibus para a “cidade”, passávamos por uma trilha até a rua principal do bairro. Onde há hoje o Parque de Coqueiros havia o Saco da Lama e o mar vinha até a rua geral. Esperávamos o ônibus vendo os peixinhos no mar da baía sul.

A meninada vivia brincando na rua. Não precisava de adultos para resolver os nossos conflitos. Vivíamos no mato e nos terrenos dos vizinhos “roubando” frutas. A variedade era grande: pitanga, goiaba, carambola, jambolão, gabiroba, araçá, maracujá, bergamota, amora…

Agora a criançada da cidade não tem mais esta felicidade.

Sabor de pitanga tem o gosto da infância feliz que tive!