Meninos e Meninas de Axé!

Morro da Caixa… da Ilha.

Dia de Batismo.

O Axé sentido no arrepio da pele!

Meninos e Meninas,

Já na roda com malandragem…

O ritmo pulsa na batida do berimbau.

 O corpo responde na capoeira bem jogada.

Parabéns Biano!

Parabéns Mestre Pinóquio!

A Capoeira agradece…

Banzo…

Dez dias fazendo repouso por ordem médica, sem jogar capoeira, devido à uma cervicobraquialgia… o sentimento é de forte banzo…

Um vazio, uma falta muito grande! Fico a navegar pela net a espera de alguma mensagem amiga, algo para elevar meu ânimo… e nada!

Vivemos num mundo individualista, onde o que mais importa é o nosso bem estar, nossos interesses…

A capoeiragem nos dá muitos camaradas, mas ainda precisamos aprimorar nossas relações de amizade! Alimentar este belo sentimento, regando com gentilezas como lembrar dos aniversários e parabenizando os amigos; de ligar ou deixar um recado na net perguntando: meu mano como você está?

“Um Amigo se faz rapidamente; já a amizade é um fruto que amadurece lentamente”. Aristóteles

Filme Cordão de Ouro

Ficha Técnica: 

Título Original:  Cordão De Ouro
Gênero:  Aventura
Tempo de Duração:  77 min.
Ano de Lançamento (Brasil):  1977
Distribuição:  Embrafilme
Direção:  Antônio Carlos Fontoura
Assistente de direção: Jorge Duran e Paulinho de Almeida
Roteiro:  Antônio Carlos Fontoura
Direção de produção: Luiz Carlos Lacerda, Walter Wcbb, Ricardo Moreira e Mas Chaves
Co-produção: Lanterna Mágica, Alter Filmes e Embrafilme
Música:  Antônio Carlos Fontoura
Músicas: Mestre Leopoldina
Música incidental: Roberto Silva
Fotografia:  Edison Santos
Fotografia de cena: José Roberto Lobato
Desenho de produção: Carlos Wilson
Direção de arte: Milton Machado
Figurino:  Mollica Modas
Edição: Nello Melli
Maquiagem: Beto Leão

Elenco:

Zezé Motta

Antônio Pitanga

Jofre Soares
Nestor Capoeira
Antônio Carnera
Maria da Graça
Glória Pinto
Kim Negro
José Ribeiro
Fábio Camargo
Carlos Wilson
Conjunto Os Ogans
Mestre Camisa
Miguelão
Mestre Leopoldina

Mulher Capoeirista!

Mulher Capoeirista, Capoerista Mulher.

Como ser mãe, professora, dona de casa, mulher e ainda ser uma Capoeira?

Será audácia? Será loucura?

O desafio é grande! Mas o amor pela Capoeira supera todos os problemas, todos os obstáculos, todas as rasteiras que levamos!

Dia 20 de outubro de 1990. Lona Azul. Baía Sul. Ali nascia uma capoeirista! Ainda lembro do seu semblante, sendo batizada pelo Mestre Bobó.

Vinte anos se passaram e ainda continuamos na luta!

Amiga, irmã, educadora, sonhadora…

A Capoeira corre em suas veias!

És Capoeira! Na Roda e na Vida!

Guerreira de Palmares!

Iê Viva Danuza!

Homenagem na Roda da Figueira.

Homenagem na Roda da Figueira.

Pró-Capoeira

Agora já em casa, depois do descansar da correria que foi o Encontro Pró-Capoeira no Rio de Janeiro (27 à 29 de outubro), posso enfim tentar expressar minhas percepções e sentimentos. Primeiramente ter sido convidada para este evento de grande importância já me deixou muito feliz! Ter contato com Mestres que conhecia de nome, conhecer novos camaradas e reencontrar outros foi muito significante! Participar deste encontro não foi apenas conhecer e contribuir as ações do Estado, mas foi um momento de reflexão da minha luta pela Capoeira. Pude presenciar muito comprometimento dos capoeiristas e atos de solidariedade, mas também alguns atos de arrogância e intolerância. Quando conseguirmos nos libertar dos conceitos de grupo e estilos na Capoeira, ela certamente terá um papel mais importante ainda para a justiça e transformação de nossa sociedade!

Agradeço por esta oportunidade e pela convivência com os camaradas de Santa Catarina que representaram muito bem a nossa Capoeira!

 

Cartografia Social: Capoeira da Ilha

No ano de 2009, alguns camaradas se reuniram para contar um pouco sobre a Capoeira da Ilha. Tudo foi documentado e organizado pela Japa (Érica), para um projeto da Universidade.

Capoeira da Ilha

A capoeira de Florianópolis tem seu início mais significativo a partir da década de 70 com a chegada de Mestre Pop na Ilha e, posteriormente, do Mestre Calunga e Contramestre Alemão. Nas décadas de 80 e 90, a capoeira iniciava seu movimento mais expressivo em Florianópolis, que ganhou força e maior identificação a partir da vinda de vários mestres da Bahia, destacando-se esses pela presença de Mestre Nô do Grupo Capoeira Angola Palmares.

“(…) E a capoeira que foi forjada aqui, pelos nossos antepassados, que culminou em tudo isso, a capoeira é o que na verdade, é a nossa identidade, nossa cultura. (…) a capoeira é embate ao sistema, a escravidão ta aí… ela não acabou, mudaram o cenário… não tem mais chibata, mas tem, o cara recebe o salário no final do mês mal dá pra pagar o porão (…) Ser capoeirista é ser do contra, é literalmente do contra, aquilo que ta ali já montado, pra nos fazer calar e não ter vez e nem voz.” Mestre Pinóquio

 

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Roda da Figueira. Junho de 2009. Foto: Erika Nakazono.

 

“(…) acho que o que mais influenciou essa capoeira é a vinda dos mestres da Bahia, principalmente o mestre Nô, que influenciou muito a nossa capoeira. (…) essa passagem desses mestres por aqui, da gente não ter que nós ir lá na Bahia beber dessa fonte e sim a fonte foi trazida pra gente, essa é uma diferença que foi um marco na capoeira da ilha, um marco, porque a gente nunca ia imaginar que a Bahia vinha pra ilha, naqueles eventos da década de 80… essa história do respeito aos mestres, aquelas figuras, nossa, que ficou assim na nossa memória (…).” Jô Capoeira

“(Capoeira da Ilha) (…) é o estilo da pessoa, não é capoeira que te molda, não, é a pessoa que se adapta à capoeira, essa é a questão. A nossa aqui, por exemplo, nosso estilo é o estilo de Florianópolis, é o jeito de Florianópolis de cantar, é o jeito de Florianópolis de andar, é o jeito de Florianópolis de levar as coisas, de ter essa tranqüilidade, bem típico daqui, da região, cultural daqui entendeu? A gente teve a influência da nossa cultura aqui, que eu digo nossa porque eu já me considero daqui… a cultura do pescador, da rendeira. (…) eu não tô dizendo no sentido da aplicação dela, mas sim do jeito de você se expressar com ela… a ginga, ela tem um jeito do Mestre Nô, mas cada um ginga de um jeito, ela tem um temperinho do Mestre Nô, um temperinho do Mestre Pop, mas cada um tem o seu tempero, é mais ou menos isso, não é padronizada, não é rotulada.” Mestre Calunga

“Tudo na capoeira tem que ser conquistado, aos pouquinhos, levei anos pra tocar berimbau no lado do Mestre Pop, do Mestre Braulino então… eu vejo que hoje tá tudo muito assim… todo mundo se atreve a falar de capoeira, todo mundo se atreve pra escrever sobre capoeira.” Jimmy Wall

“(…) a capoeira é do povo, todos os grupos de capoeira deviam ter obrigação de fazer roda, de devolver essa capoeira pro povo, é uma forma de estimular essas pessoas ir fazer a capoeira.” Contramestre Adão

Lei Municipal 7870 de 26 de maio de 2009

“O início de tudo foi quando começamos a ter problemas em realizar nossas rodas de rua, principalmente no Mercado Público. Em maio de 2006 reunimos alguns grupos de Capoeira (Quilombola, Palmares, ABADÁ e Aú) com o apoio da Central e elaboramos o Projeto “A cidade na volta ao mundo da capoeira” que tinha como objetivo principal assegurar o direito do uso dos espaços púbicos à prática da capoeiragem e outras manifestações culturais. A Lei Municipal 7870 foi uma conquista dos capoeiras, porque encaminhamos este projeto para a Câmara, através do Vereador Márcio de Souza. Esta lei já está beneficiando não só a capoeira mas também outros artistas populares. Temos agora uma lei que nos assegura a produzir cultura no Mercado Público, na Figueira da Praça XV de Novembro, na Esquina Democrática (Calçadão) e no Largo da Catedral. Então, que se jogue capoeira, dance o boi-de-mamão, que se faça renda e se possa admirar o trançar do pau-de-fita, ouvir o toque maracatu e se escute cantigas e outras tantas manifestações.” Central de Capoeira

LADAINHA: NÃO É LUTA DO PATRÃO

“Capoeira, que nasceu pra dizer não… todo tipo de opressão, injustiça e escravidão.

Coro: A capoeira não é luta do patrão

Se liga moço, presta atenção… a capoeira não é luta do patrão,

Herança nobre, legado da escravidão… era luta de oprimidos e excluídos da nação.

Hoje é desporto de regra e competição… eu não concordo com toda essa inversão,

Se liga moço, presta atenção… a capoeira tá no jogo do patrão…(coro),

Não temos escola, nem dentista, educação… a escravidão hoje é feita sem grilhão…nos dão a margem e muita televisão, se liga moço, presta atenção…(coro).

A regional não é isso não é não… eu não concordo com tanta deturpação… Mestre Bimba não dava mata leão, nem dava murro em roda de vadiação… nas emboscadas ensinou jogar facão… mas ensinava o respeito e tradição, se liga moço, presta atenção…(coro).

Cuidado moço, não entregue ao vilão… nossa cultura forjada na escravidão.

Se liga moço, presta atenção… a capoeira não é luta do patrão”.

Mestre Pinóquio

Casa de Angoleiro

 

Dífícil é expressar os sentimentos em palavras. O que dizer então do encontro infantil realizado neste final de semana na sede do Grupo Quilombola? Roda de Crianças, batismo… Na pele senti o arrepio do corpo, a energia emanada das crianças jogando, da presença dos camaradas da Ilha, da cantoria do Alemão, do exemplo de vida do Pinóquio, que segue a risca o ensinamento do Mestre Nô: Capoeira na Roda, Capoeira na Vida!

Agradeço ao Pinóquio e aos camaradas Quilombolas por mais este momento especial e de muito Axé! Valeu!